Marketing de Afiliados

Métricas de Afiliado: os 5 Números Para Olhar Toda Semana (e os 3 que Só Geram Ansiedade)

Por Edson R. Melo 9 min de leitura

Balança dourada com moedas de ouro em um prato e fichas vermelhas no outro

Quase todo print de painel que me mandam vem com o número errado em destaque. Impressão, alcance, visualização, tudo verdinho, e nenhuma linha que responda à única pergunta que importava naquela semana: eu continuo, mudo ou paro?

O problema não é falta de dado. É excesso. A plataforma de anúncio, a plataforma de produto e a rede social entregam dezenas de números por dia, e a maior parte deles não muda nada no que você vai fazer amanhã. Ocupa espaço na cabeça e cobra ansiedade como aluguel.

Então aqui vai a lista curta que eu uso: cinco métricas de afiliado que eu olho toda semana, a decisão que cada uma muda, e três que eu ignoro de propósito. Se o que você quer é a fórmula do ROI em si, com os custos escondidos que quase ninguém soma, ela está no artigo sobre como calcular o ROI real das campanhas. Aqui é sobre outra coisa: o que olhar, com que frequência olhar e o que fazer no dia seguinte.

Por que a semana, e não o dia

Dado de um dia raramente é dado. Na maioria das operações pequenas, é variação normal.

Uma campanha que faz poucas vendas por dia vai ter dia com duas, dia com nenhuma e dia com quatro, sem que nada tenha mudado. Quem olha isso todo dia acaba mexendo em lance, em público e em página na mesma semana, e depois não sabe qual mexida causou o resultado. Foi exatamente isso que eu fiz no meu primeiro ano, e o custo disso não é dinheiro perdido: é aprendizado perdido.

O mês tem o problema oposto. É bom para margem, imposto e custo fixo, mas chega tarde demais para corrigir campanha. Quando você percebe, já queimou trinta dias.

A semana é o meio termo honesto. É o menor pedaço de tempo que junta dado suficiente para significar alguma coisa e ainda é cedo o bastante para você mudar o rumo. Marque um horário fixo, sempre o mesmo dia, e trate como compromisso. Eu prefiro segunda de manhã, porque a decisão que sai dali tem a semana inteira pela frente para ser executada.

Os 5 números que mudam decisão

A regra que eu uso para um número entrar nesta lista é simples: se ele subir ou descer, eu faço algo diferente na semana seguinte. Se eu não faço nada diferente, ele não entra. Métrica que não vira ação é entretenimento.

1. Cliques qualificados que chegaram na oferta

É o número de topo, e ele existe para dar contexto aos outros quatro. Sem volume nenhum, os números de baixo não significam nada: taxa de conversão calculada em cima de meia dúzia de cliques é chute com casa decimal.

Repare no "qualificados". Clique de alguém que buscou o nome do produto vale muito mais que clique de alguém que passou por um vídeo aleatório. Não misture as duas origens na mesma conta, senão a média esconde a única fonte que está funcionando.

A decisão que ele muda: se o volume está baixo, o problema é de distribuição, e não adianta reescrever página nem trocar anúncio. Sua semana é de tráfego, não de oferta.

2. Taxa de conversão de clique em venda

Quantas das pessoas que chegaram compraram. É o número mais mal usado do mercado e o mais útil quando bem lido.

Ele separa duas coisas que o iniciante vive confundindo: problema de tráfego e problema de oferta. Se chega gente e ninguém compra, o buraco está entre o clique e o checkout. Pode ser promessa do anúncio diferente do que a página entrega, público errado, preço fora do que aquele visitante esperava, ou oferta que simplesmente não convence.

Essa confusão é cara porque manda você para o lado errado do trabalho. Gente que tem problema de oferta passa meses aumentando verba, e verba maior em oferta que não converte só acelera a perda.

A decisão que ele muda: conversão baixa com volume razoável significa semana de mexer na oferta e na página. Conversão saudável com volume baixo significa semana de mexer no tráfego.

3. Custo por venda contra a comissão líquida

Não é o custo por venda sozinho. É ele encostado no que sobra da comissão depois das taxas da plataforma.

Um exemplo com número redondo só para ilustrar a mecânica: se sobram cem reais líquidos por venda e você está gastando cento e quarenta para conseguir cada uma, não existe volume que conserte. Escalar aí é aumentar o prejuízo mais rápido, e é o erro mais comum de quem confunde faturamento com resultado.

Se você não roda anúncio, o número continua existindo, só muda a moeda: em vez de custo em dinheiro, meça tempo de produção por venda. Vinte horas de conteúdo para uma comissão pequena também é uma conta que não fecha, e ela dói mais porque tempo não volta.

A decisão que ele muda: é o número que autoriza escalar, obriga ajustar ou manda parar. Nessa ordem, sem drama.

4. Reembolso e chargeback

Receita que volta não é receita. E ela costuma voltar com atraso, porque o prazo de garantia varia de produto para produto, o que faz o número de uma semana refletir vendas de semanas anteriores.

Por isso ele entra na revisão semanal em vez da diária: você precisa ver a tendência, não o susto isolado. Reembolso concentrado em um produto específico é sinal de duas coisas possíveis, e vale investigar qual: ou o produto entrega menos do que promete, ou a sua comunicação prometeu mais do que ele entrega.

A decisão que ele muda: reembolso subindo é motivo para revisar a promessa do seu anúncio antes de trocar de produto. E, se o problema for do produto mesmo, é motivo para sair dele. Índice alto também pesa na sua reputação dentro da plataforma.

5. Lucro líquido da semana

Entrou menos saiu. Comissão confirmada, menos verba, menos ferramenta, menos taxa. É o único número que responde se o negócio existe ou se você tem um hobby caro.

Ele fecha a revisão porque é ele que define quanto você tem para gastar na semana seguinte. E ele precisa ser olhado inteiro, não por campanha: dá para ter campanha positiva e semana negativa, e quem só olha o painel de anúncio nunca percebe isso.

A visão completa, com todas as camadas de custo que corroem a comissão ao longo do mês, está no artigo sobre custo de operação de afiliado. O semanal é a versão rápida dessa mesma conta.

A decisão que ele muda: define o seu orçamento dos próximos sete dias, e nada mais define isso.

Quer os números organizados num lugar só?

Deixei uma planilha de ROI para afiliados aqui no site, com as linhas certas para você preencher toda semana sem se perder no meio dos painéis.

Acessar a Planilha de ROI

Os 3 números que só geram ansiedade

Nenhum dos três é mentira. O problema é o peso que eles ganham na cabeça de quem está começando, e principalmente o que deixa de ser olhado enquanto a atenção está neles.

1. Impressões e alcance

Sobem sozinhos quando você aumenta a verba, e sobem em qualquer campanha, boa ou ruim. É o número que mais aparece em print de celular e o que menos muda decisão.

Alcance grande com venda zero não é "quase lá". É gente errada vendo, ou gente certa vendo uma mensagem que não fala com ela. O tamanho da plateia nunca foi o problema.

2. CTR sozinho

Anúncio com CTR alto e nenhuma venda é comum, e às vezes é sinal ruim. Promessa larga demais atrai clique de curioso, e curioso não compra, só custa.

CTR faz sentido lido ao lado da conversão, nunca sozinho. Se os dois sobem, ótimo. Se o CTR sobe e a conversão cai, você provavelmente escreveu um anúncio mais generoso do que a oferta consegue cumprir.

3. O painel em tempo real

Esse é o pior dos três, e é o único que eu chamo de vício mesmo.

O custo aparece na hora. A venda demora. Então quem fica atualizando o painel de hora em hora está sempre vendo o prejuízo antes da receita, o dia inteiro, todo dia. É uma máquina de gerar pânico com dado incompleto.

Foi assim que eu desliguei campanha boa cedo demais, mais de uma vez, e demorei a entender que não era a campanha que estava ruim: era a hora em que eu estava olhando. Fecha a aba. O número vai continuar lá na segunda.

Como fazer a revisão em 20 minutos

A revisão só sobrevive se for curta. Se virar um ritual de duas horas com gráfico bonito, você faz duas vezes e abandona.

  • Dia e horário fixos. Sempre o mesmo. A regularidade é o que permite comparar semana com semana.
  • Os cinco números num lugar só, sempre na mesma ordem. Uma planilha simples basta. O trabalho é ver a linha do tempo, não a beleza do painel.
  • Compare com a sua semana anterior, não com o número ideal da internet. Média de mercado não paga sua conta e quase sempre vem sem contexto.
  • Escreva no máximo uma decisão por número. Se saírem cinco decisões, você não vai executar nenhuma direito.
  • Mude uma coisa por vez. Duas mudanças na mesma semana devolvem um resultado que você não sabe explicar, e resultado inexplicável não vira método.

Essa revisão cabe dentro de qualquer rotina, inclusive das apertadas. Se a sua semana é curta, vale ver a ordem que eu uso no artigo sobre rotina de afiliado com 2 horas por dia, porque o lugar onde a análise entra na sua agenda muda bastante o quanto ela rende.

E se você ainda não vendeu nada

Aí três dos cinco números vão estar zerados, e isso é esperado. Não é sinal de que você escolheu o negócio errado.

Nessa fase, só dois números merecem sua atenção: quantos cliques qualificados você conseguiu levar até a oferta e o que aconteceu com eles. O resto ainda não tem o que medir, e ficar encarando campo zerado é a forma mais rápida de desanimar.

A expectativa realista de prazo, com os fatores que mais mexem nela, eu detalhei no artigo sobre quanto tempo até a primeira venda como afiliado. Vale ler antes de concluir qualquer coisa sobre você a partir de uma semana ruim.

Perguntas frequentes

Quais métricas um afiliado deve acompanhar por semana?

Cinco: quantos cliques qualificados chegaram na oferta, a taxa de conversão de clique em venda, o custo por venda comparado com a comissão líquida, o volume de reembolso e o lucro líquido da semana. Cada um deles muda alguma decisão prática na semana seguinte. O resto pode esperar.

Preciso olhar as métricas todos os dias?

Não. Dado de um dia costuma ser variação normal, não tendência, e reagir a ele leva a mexer na campanha o tempo todo sem saber o que mudou o resultado. A semana é o menor pedaço de tempo que junta dado suficiente para significar algo e ainda dá tempo de corrigir.

O que significa CTR alto e nenhuma venda?

Significa que o anúncio está atraindo clique, e não que ele está atraindo comprador. Às vezes é sinal de que a promessa do anúncio é mais larga do que a oferta entrega, e aí chega gente curiosa que nunca ia comprar. CTR só diz algo quando lido ao lado da taxa de conversão.

Quantos cliques eu preciso ter antes de julgar uma campanha?

Não existe número universal, mas existe uma referência prática: enquanto você não gastou o equivalente a uma comissão líquida, você ainda não tem dado, tem impressão pessoal. Julgar conversão com meia dúzia de cliques é adivinhação, e é o que faz muita gente desligar campanha boa cedo demais.

As métricas de tráfego pago e de orgânico são as mesmas?

A lógica é a mesma, o que muda é a moeda. No pago você mede custo por venda em dinheiro. No orgânico você mede em tempo: quantas horas de produção foram necessárias para cada venda. Os outros quatro números continuam valendo iguais.

Para fechar

Painel cheio não é sinal de operação madura. Na maioria das vezes é sinal de que ninguém decidiu ainda o que importa.

Cinco números, uma vez por semana, uma decisão de cada vez. É menos do que quase todo mundo acompanha e é mais do que quase todo mundo usa, porque o que falta raramente é informação: falta transformar informação em decisão.

Pode funcionar para você, mas depende de como colocar em prática. Se este conteúdo ajudou, aproveite para conferir os outros artigos do blog, ou comece pelo mini curso gratuito de marketing de afiliados que preparei para quem quer montar a operação com o mínimo de bagunça desde o começo.

Fontes e leitura complementar

Edson R. Melo

Sobre o Autor

Edson R. Melo é estrategista digital e especialista em tráfego pago há 7 anos. Já geri campanhas de Google Ads em múltiplos mercados (Brasil, EUA, Reino Unido, Alemanha e Suíça) e construiu operações de afiliado do zero até a escala. Ensino o que aplico nas minhas próprias campanhas, sem teoria descolada da prática.

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