A IA do Google Ads escreve um anúncio inteiro em oito segundos. Título, descrição, variação, tudo dentro do limite de caractere e sem erro de português. O problema não é esse. O problema é que o texto que ela entrega é quase sempre bom o bastante para você publicar sem pensar, e fraco o bastante para não vender nada.
Essa é a armadilha específica de quem usa IA em anúncio. Quando a ferramenta erra feio, você percebe e corrige. Quando ela erra no ponto certo, entregando algo mediano e apresentável, você aprova, sobe a campanha e só descobre semanas depois, olhando o custo por conversão.
Neste artigo eu mostro o processo que uso para criar anúncio de afiliado com a IA do Google Ads sem cair nisso: o que ela faz bem, o que ela sempre faz mal, o que precisa ser corrigido em toda geração, e os quatro motivos que mais reprovam anúncio de afiliado, nenhum deles resolvido por IA nenhuma.
Antes de seguir, vale deixar claro o recorte, porque isso muda tudo que vem depois. Aqui a conversa é sobre a IA que já vem dentro do painel do Google Ads: a que lê a sua página e sugere título e descrição, a que insere recurso sozinha, a que aparece no relatório. Não é sobre usar o ChatGPT para escrever um texto e colar na plataforma. Se o que você procura é esse outro caminho, eu já escrevi sobre ele: como usar IA de graça para começar como afiliado cobre oferta, página e anúncio, e as 5 ferramentas de IA gratuitas mostram o caminho da ideia até o anúncio pronto. Para a visão de operação inteira, as 5 formas de usar IA para escalar campanhas tratam de lance, público e copy junto.
Se você ainda não rodou nenhuma campanha, comece pela primeira campanha no Google Ads, porque aqui eu parto do princípio de que você já sabe montar a estrutura. E se quiser entender a mudança maior que está por trás disso tudo, o AI Max do Google Ads explica para onde a plataforma está indo.
O que a IA do Google Ads faz de verdade
Vale separar as coisas, porque "IA do Google Ads" virou um guarda-chuva para funções bem diferentes, e cada uma exige um cuidado.
Sugestão de texto no anúncio responsivo. Você cola a URL da sua página, e o Google lê o conteúdo dela para propor títulos e descrições. É a função que você mais vai usar. Ela é boa em cobrir variações e respeitar limite de caractere, e ruim em achar o ângulo que diferencia a sua oferta.
Geração conversacional. Você descreve o que quer em linguagem normal e a ferramenta devolve um conjunto de recursos. Funciona melhor quando o seu comando é específico, e devolve lugar-comum quando o comando é vago.
Recursos criados automaticamente. O Google gera e insere títulos e descrições novos por conta própria, a partir da sua página, mesmo sem você pedir. É a função mais delicada das três, porque publica texto que você não escreveu.
Geração de imagem e vídeo nas campanhas de máxima performance, que fogem do escopo deste artigo mas seguem a mesma lógica: a máquina produz o material, a responsabilidade continua sendo sua.
Todas essas funções têm uma coisa em comum: elas trabalham a partir da sua página de destino. A qualidade do que sai depende quase inteiramente da qualidade do que está lá. É por isso que a maior parte do trabalho acontece antes de você chegar no painel.
O que decide o resultado antes de você abrir o painel
Três coisas definem se a IA vai te ajudar ou te atrapalhar, e nenhuma delas é configuração de campanha.
A primeira é a página de destino. A IA lê o que está escrito lá. Se a sua presell tem duas frases genéricas e um botão, ela vai gerar duas frases genéricas e um botão em forma de anúncio. Se a página explica para quem o produto serve, o que ele resolve e o que a pessoa recebe, a IA tem material concreto para trabalhar e a diferença no texto é visível.
A segunda é saber qual é a sua oferta de verdade. Não o produto, a oferta. O que essa pessoa ganha, em quanto tempo, comparado com o quê. Isso não está em lugar nenhum que a IA possa ler, está na sua cabeça. Se você não consegue escrever isso em uma frase, nenhuma ferramenta vai escrever por você.
A terceira é o momento de busca que você está atacando. Quem digita o nome do produto está a um passo da compra. Quem digita "como ganhar dinheiro online" está a vinte passos. O mesmo anúncio não serve para os dois, e a IA não sabe qual dos dois você quer, a não ser que você diga. O fundo de funil no Google Ads trata exatamente dessa separação.
Na prática, quem tem essas três respostas claras usa a IA como acelerador. Quem não tem usa como muleta, e o resultado aparece na conta.
Passo 1: a página que a IA vai ler
Antes de gerar qualquer texto, resolva o destino. Isso é mais importante para afiliado do que para qualquer outro anunciante, por um motivo simples: o Google não aceita que você use o anúncio dele só como atalho para o link de outra pessoa.
A regra prática é que o destino precisa ter conteúdo próprio e valor além do redirecionamento. Uma página que só recebe o clique e joga a pessoa no checkout do produtor tende a ser reprovada, e a reincidência pode custar a conta inteira.
O caminho que funciona é a presell: uma página sua, com conteúdo real, que apresenta o produto com honestidade, responde as objeções principais e leva ao link de afiliado. Se você nunca montou uma, o passo a passo está no artigo sobre presell com Elementor para Google Ads.
Enquanto estiver montando essa página, escreva pensando que dois leitores vão passar por ali: a pessoa e a IA. Seções com subtítulo claro, benefício explícito, para quem serve, o que está incluso. Tudo que estiver bem escrito na página volta como matéria-prima na hora de gerar o anúncio.
Um detalhe que economiza retrabalho: deixe na página as palavras que você quer ver no anúncio. Se você quer que o anúncio fale em "acesso vitalício", essa expressão precisa aparecer na página. A IA não inventa o que não está lá, e quando ela inventa é justamente aí que você tem problema.
Passo 2: alimentar a IA com a fonte certa
Com a página pronta, vá para a criação do anúncio responsivo de pesquisa e cole a URL final. É a partir dela que as sugestões nascem.
Se a ferramenta oferecer o campo de descrição do que você anuncia, use com precisão. Comando vago devolve texto vago. Compare:
- Vago: "curso de marketing digital para iniciantes".
- Específico: "curso que ensina afiliado iniciante a montar a primeira campanha de Google Ads em 7 dias, com acesso vitalício e suporte por e-mail, para quem nunca rodou anúncio".
O segundo comando devolve um material muito melhor, porque carrega três informações que a IA não tinha como adivinhar: o prazo, o formato de entrega e o nível de quem compra.
Peça também mais variações do que você precisa. Se o anúncio comporta quinze títulos, gere trinta e descarte metade. É mais rápido cortar o que não serve do que tentar melhorar o que veio mediano, e você acaba com um conjunto mais forte.
Uma coisa que aprendi apanhando: nunca gere tudo de uma vez pedindo "títulos para meu anúncio". Peça por ângulo. Um bloco focado em benefício, outro em objeção, outro em prova, outro em quem é o público. Sai muito menos repetitivo, e você percebe rápido qual ângulo tem mais material.
Passo 3: gerar os títulos e descrições
Aqui a máquina faz a parte dela. O que interessa é o que você faz com o resultado.
Todo conjunto gerado por IA tem a mesma composição, e reconhecer isso acelera muito a triagem:
Uns 20% são aproveitáveis quase como vieram. Normalmente os que pegaram um dado concreto da sua página, um número, um prazo, um formato.
Uns 50% são corretos e vazios. "Transforme seu futuro hoje", "a solução que você procurava", "resultados que você merece". Frases que serviriam para qualquer produto do mundo. Descarte sem dó.
Uns 20% são bons com um ajuste. A estrutura está certa, mas falta especificidade. "Aprenda marketing de afiliados" vira "aprenda a montar sua primeira campanha em 7 dias" e muda de patamar.
E uns 10% são perigosos. São os que prometem coisas que a sua página não sustenta. Esses são o assunto do passo seguinte, e o motivo de esse passo existir.
Se quiser acelerar essa triagem com uma segunda opinião, eu montei o Gerador de Anúncio Espartano, que trabalha com o mesmo princípio de gerar por ângulo em vez de gerar no monte.
Passo 4: a revisão que ninguém pula
Esta é a parte que separa quem usa IA de quem é usado por ela. São cinco perguntas, e eu passo cada título gerado por todas antes de aprovar.
1. Isso é verdade? A IA não mente por maldade, ela completa padrão. Se a sua página fala em "resultados rápidos", ela pode devolver "resultados em 7 dias". O sete não estava em lugar nenhum. Toda promessa numérica que aparecer no texto gerado precisa existir na página, ou sai.
2. Isso serviria para o concorrente? Se você trocar o nome do produto e o anúncio continuar fazendo sentido, ele não está vendendo o seu produto, está vendendo a categoria. E anúncio de categoria em campanha de afiliado é dinheiro entregue para o mercado.
3. Isso é permitido? Promessa de ganho financeiro, resultado garantido, urgência que não existe. A IA reproduz o padrão de linguagem do nicho, e o nicho de renda online é cheio de frase que o Google reprova. A responsabilidade da política é sua, não da ferramenta.
4. Isso combina com a página? Se o anúncio fala em desconto e a página não tem desconto nenhum, você paga pelo clique e perde a venda. A incoerência entre anúncio e destino é uma das maiores causas de dinheiro queimado que eu vejo em conta de afiliado.
5. Eu falaria isso em voz alta? É o teste mais simples e o que mais reprova texto. Se você leria a frase para um amigo e sentiria vergonha, o seu público sente a mesma coisa lendo.
Parece trabalhoso, mas leva poucos minutos e é onde está o ganho real. A IA te deu quinze minutos de vantagem na redação. Gaste cinco deles aqui.
Passo 5: recursos automáticos, ligar ou não
Os recursos criados automaticamente são a função que mais gera dúvida, e a resposta honesta é que depende do momento da campanha.
Campanha nova, deixe desligado. No começo você precisa saber o que funciona, e para isso precisa que o anúncio mostre só o que você escreveu. Se o Google adiciona títulos por conta própria, você perde a leitura do teste: não dá para saber se o resultado veio do seu ângulo ou de uma frase que a plataforma inseriu sozinha.
Campanha madura, vale testar. Depois que você já tem histórico e sabe quais ângulos performam, o recurso automático costuma ajudar na cobertura de buscas que você não previu. Aí ligue, mas acompanhe o relatório de recursos e veja o que foi efetivamente exibido.
Para afiliado tem um cuidado extra: como o texto automático sai da sua página, qualquer frase mal formulada lá pode virar anúncio. Se a sua presell tem um depoimento com promessa forte, existe a chance de aquilo aparecer em um título. Vale reler a página com esse olhar antes de ligar a função.
Passo 6: publicar e ler o resultado
Anúncio no ar, começa a parte que a IA não faz.
Não mexa em nada nos primeiros dias. Toda campanha nova passa por um período de aprendizado, e trocar texto no meio disso reinicia a contagem e destrói qualquer conclusão. A ansiedade de otimizar cedo custa mais caro que anúncio ruim.
Quando tiver volume, olhe o relatório de recursos, que mostra quais títulos foram efetivamente exibidos e como cada um se comportou. Esse relatório é a única fonte confiável para saber qual ângulo o mercado escolheu, e quase sempre não é o que você apostaria.
Aí sim você substitui os piores por variações novas dos melhores. É esse ciclo que faz o custo por conversão cair com o tempo, e ele não tem nada de automático. Se estiver com custo alto agora, o artigo sobre reduzir o custo por clique tem os ajustes que atacam isso direto, e vale conferir também as palavras-chave negativas, que costumam ser a economia mais rápida de todas.
Os quatro erros que fazem o Google reprovar
Nenhum desses é resolvido pela IA, e todos aparecem com frequência em conta de afiliado.
Destino sem valor próprio. Já falei no passo 1 e repito porque é o que mais derruba conta: link de afiliado direto, ou página que só redireciona, é reprovação quase certa.
Promessa de ganho. Falar em quanto a pessoa vai ganhar, em quanto tempo, com garantia, é terreno minado. Você pode falar do que o produto ensina. Não pode prometer o que ela vai faturar.
Incoerência entre anúncio, palavra-chave e página. O Google avalia o conjunto. Anunciar uma coisa, comprar palavra de outra e entregar uma terceira derruba a qualidade e encarece o clique, mesmo quando não reprova.
Falta de transparência sobre a relação de afiliado. Deixar claro na página que existe comissão não atrapalha a conversão como muita gente teme, e resolve um problema de confiança que pesa dos dois lados, no leitor e na avaliação da plataforma.
Se você quer se aprofundar na escolha da oferta antes de anunciar, o guia de como escolher produtos de afiliado ajuda a evitar o problema na raiz, que é anunciar produto que não sustenta o próprio anúncio.
O que a IA não vai fazer por você
Ela não escolhe a oferta. Não decide o público. Não define o momento de funil. Não avalia se a comissão paga o clique. Não lê a página do concorrente para achar o espaço vago. Não assume a responsabilidade pela política.
O que ela faz, e faz muito bem, é tirar de você o trabalho da folha em branco e produzir variação em escala. Isso é bastante. Escrever quinze títulos na mão leva uma hora e cansa; revisar quinze títulos gerados leva dez minutos e sobra energia para pensar na oferta.
Só que esse ganho só existe se você tiver critério para separar o que presta. Sem critério, a IA vira uma máquina de publicar anúncio medíocre mais rápido, e velocidade sem direção só faz você errar antes.
Nem sempre o caminho mais rápido é o melhor. O afiliado que gera três anúncios, revisa com calma e sobe um bom costuma ir mais longe que o que gera trinta e sobe todos.
Perguntas frequentes
A IA do Google Ads escreve o anúncio sozinha?
Ela escreve uma primeira versão. A IA lê a sua página de destino e gera títulos e descrições a partir do que encontra lá. O texto sai gramaticalmente correto e dentro dos limites de caractere, mas costuma ser genérico e às vezes inclui afirmações que a sua página não sustenta. O trabalho de escolher o ângulo, cortar o que é vago e conferir cada promessa continua sendo seu.
Posso mandar o anúncio direto para o link de afiliado?
Na prática, não. A política do Google exige que o destino agregue valor além do redirecionamento, e link de afiliado apontado direto para a página do produtor costuma ser reprovado ou gerar suspensão. O caminho seguro é ter uma página própria com conteúdo real, uma presell, e o link de afiliado dentro dela.
Devo ativar os recursos criados automaticamente?
Depende da maturidade da campanha. No começo eu deixo desligado, porque o recurso pega frases da sua página e cria títulos que você não escreveu nem revisou, o que atrapalha a leitura do teste. Depois que a campanha tem histórico e você já sabe quais ângulos funcionam, vale ligar e acompanhar de perto o relatório de recursos.
Por que meu anúncio de afiliado foi reprovado mesmo escrito pela IA do Google?
Porque a IA gera texto, não garante conformidade. Os motivos mais comuns de reprovação em campanha de afiliado são promessa de ganho financeiro, linguagem de resultado garantido, destino sem conteúdo próprio e falta de coerência entre o que o anúncio diz e o que a página entrega. A revisão dessas quatro coisas é obrigatória antes de publicar.
A IA do Google Ads substitui saber copy?
Não, e é justamente o contrário. A IA acelera quem já sabe o que quer dizer e expõe quem não sabe. Ela produz dez variações medianas em segundos, e sem critério para separar a boa da ruim você só ganha velocidade para publicar anúncio fraco. O ganho real de tempo aparece na redação e nas variações, não na estratégia.
Para fechar
A IA do Google Ads mudou o tempo que leva para escrever um anúncio, não o que faz um anúncio funcionar. O que decide continua sendo a oferta, a página e a clareza sobre quem você está tentando alcançar.
Minha sugestão prática para hoje: pegue uma campanha que já está no ar, abra o relatório de recursos e veja quais títulos o Google escolheu exibir. Depois gere cinco variações novas só do melhor deles, passe pelas cinco perguntas da revisão e substitua os dois piores. É um ciclo de vinte minutos, e ele rende mais que criar campanha nova do zero.
E resista à tentação de publicar o que veio pronto. O texto que a IA entrega é o ponto de partida do trabalho, nunca o fim dele.
Se este conteúdo te ajudou, aproveite para conferir os outros artigos do blog, ou comece pelo mini curso gratuito que preparei sobre como estruturar uma operação de afiliado do jeito certo.