Se eu perdesse tudo hoje e tivesse que recomeçar do zero como afiliado, sem lista, sem canal e sem reputação, eu não faria nada diferente do que já existe por aí. Eu faria as mesmas coisas, em outra ordem.
É isso que quase ninguém conta. A informação sobre afiliação está toda disponível, de graça, há anos. O que faz a maioria travar não é falta de conteúdo, é a sequência: a pessoa aprende a subir campanha antes de saber para quem está vendendo, e escolhe o produto pela comissão antes de entender o mercado.
Este artigo é sobre a sequência, e só sobre ela. Se você ainda não sabe como o modelo funciona, comece pelo guia completo de marketing de afiliados. Se quer saber onde se cadastrar, eu comparei as opções no artigo sobre os sites que pagam de verdade. Aqui eu assumo que você já leu, já entendeu, e agora está olhando para a tela sem saber o que fazer na segunda-feira de manhã.
Por que a ordem importa mais que a velocidade
Toda vez que alguém me manda mensagem dizendo que tentou e não deu certo, eu faço a mesma pergunta: o que você fez primeiro? A resposta quase sempre é "criei a conta e comecei a divulgar".
Esse é o erro. Começar do zero como afiliado tem uma ordem natural, e ela é a mesma de qualquer negócio: primeiro você entende quem compra, depois o que essa pessoa compra, depois como ela chega até a compra, e só no fim você coloca dinheiro ou esforço em cima disso.
Quando a ordem é invertida, o prejuízo não é o dinheiro perdido. É que você não aprende nada. Uma campanha que gastou verba sem venda pode ser uma aula inteira, se você souber ler. Se você não sabe quem é o público nem por que escolheu aquele produto, o resultado não te diz nada, e a única conclusão possível é "não funciona".
Os 30 dias abaixo não prometem venda. Eles prometem uma coisa mais chata e mais útil: no dia 31 você vai ter uma operação pequena, medida e corrigível, em vez de um mês de tentativa que não deixou aprendizado.
Semana 1: escolher um mercado e ficar nele
A primeira semana inteira, sem tocar em plataforma nenhuma, é para escolher um mercado. Não um produto: um mercado.
Mercado é o grupo de pessoas com um problema em comum e disposição para pagar por uma solução. Emagrecimento, finanças, relacionamento, pet, idioma, saúde do sono. Produto é o que você vai vender para esse grupo, e produto se troca. Mercado, não.
O filtro que eu uso é bem simples, e são três perguntas:
- Você aguenta ler sobre isso por seis meses seguidos? Não precisa amar. Precisa não odiar, porque no terceiro mês o entusiasmo acabou e só sobra a disciplina.
- As pessoas desse mercado já gastam dinheiro com isso hoje? Se elas já compram, você não precisa criar demanda, que é a parte cara e demorada.
- Você consegue entender a dor dessa pessoa sem ser ela? Se o problema é totalmente estranho para você, cada texto vai soar falso, e o público percebe.
Escolhido o mercado, passe o resto da semana lendo o que essas pessoas escrevem. Comentário de vídeo, grupo de rede social, avaliação de produto, pergunta em fórum. Você não está procurando ideia de conteúdo ainda. Está aprendendo o vocabulário, que é o que separa quem fala com o mercado de quem fala sobre o mercado.
Parece pouco para uma semana. Não é. Essa é a única etapa que, se você errar, estraga as outras três.
Semana 2: uma oferta só, estudada até o fim
Agora sim você entra nas plataformas. E escolhe uma oferta. Uma.
A tentação de se afiliar a oito produtos no primeiro dia é grande, porque parece que aumenta a chance de vender. Faz o contrário: divide sua atenção em oito, e nenhuma das oito recebe estudo suficiente para você defendê-la direito.
O critério de escolha não é a comissão. Eu já escrevi um artigo inteiro sobre como escolher os produtos certos, mas o resumo do que importa na semana 2 é isto:
- A página de vendas convence você? Se você, que quer vender, não compraria, ninguém compra.
- O produtor é sério? Suporte que responde, produto entregue, reembolso tratado sem drama. Comissão alta em produto ruim vira estorno e conta bloqueada.
- Você entende o que o produto entrega? Se não consegue explicar em duas frases para alguém de fora, ainda não estudou o bastante.
- A oferta permite o tipo de divulgação que você vai fazer? Muito produtor proíbe anúncio na marca dele, ou exige página intermediária. Isso está escrito nas regras da afiliação, e quase ninguém lê antes.
Depois de escolher, consuma o produto se puder, ou pelo menos assista a tudo que o produtor disponibiliza para afiliado: aula de lançamento, material de apoio, depoimento de cliente. Anote as objeções. As objeções são a matéria-prima de tudo que você vai escrever na semana seguinte.
Quer ver esse caminho montado do começo ao fim?
Preparei um mini curso gratuito de marketing de afiliados com Google Ads, mostrando a estrutura completa de uma operação que leva quem já está procurando o produto direto para a oferta.
Acessar Mini Curso GrátisSemana 3: montar o caminho entre o clique e a compra
Essa é a semana que quase todo iniciante pula, e é a que decide o resto.
Entre a pessoa descobrir que você existe e ela comprar, tem um caminho. Se esse caminho for só "link de afiliado jogado na bio", você está pedindo para um estranho gastar dinheiro sem nenhuma preparação. Funciona às vezes, por acaso. Não dá para repetir de propósito.
O que eu montaria nessa semana, nessa ordem:
- Um conteúdo que responde a dúvida da compra. Não é o conteúdo que ensina o mercado. É o que responde "isso resolve o meu caso?" e "por que esse e não o outro?". É o material que fica logo antes do clique.
- Um lugar onde esse conteúdo vive. Pode ser uma página simples, um vídeo ou um post fixo. O importante é ser um endereço estável, que você controla e pode melhorar.
- O link de afiliado testado. Gere, clique, chegue até o checkout, confira se a comissão está sendo registrada. Já vi gente rodar uma semana inteira com link quebrado e concluir que o mercado estava ruim.
- Rastreamento ligado antes de qualquer tráfego. Se você vai usar anúncio, o pixel de conversão precisa estar configurado desde o primeiro clique. Dado que você não coletou no começo não volta depois.
Repare que nada disso custa dinheiro. Custa uma semana de trabalho que não dá nenhuma sensação de progresso, porque não tem número para olhar. É exatamente por isso que é a etapa mais pulada.
Semana 4: colocar no ar, medir e corrigir
Só agora entra tráfego. E entra pequeno.
Se você tem verba, a semana 4 é subir uma campanha simples, com poucas palavras-chave e intenção clara de compra. Estruturar a primeira campanha é um assunto por si só, e eu detalhei o passo a passo no artigo sobre como estruturar sua primeira campanha no Google Ads. O valor diário não é o ponto aqui: o ponto é ser um valor que você aguenta perder inteiro sem mudar nada na sua vida, porque essa é a premissa de um teste. Se quiser uma base de quanto é razoável reservar, escrevi sobre quanto custa começar no tráfego pago.
Se você não tem verba, a semana 4 é publicar. Mesma lógica: um formato só, uma frequência que você consegue manter, e o conteúdo apontando para o caminho que você montou na semana 3.
O que muda tudo é o que você faz com o resultado. Três leituras cobrem quase todos os casos:
- Ninguém clicou. O problema está na frente do funil: anúncio, título, público ou palavra-chave. A oferta nem foi testada ainda.
- Clicaram e ninguém comprou. O problema está no meio: seu conteúdo não conecta com a página de vendas, ou você atraiu a pessoa errada, com outra intenção.
- Vendeu, mas o custo ficou acima da comissão. Aqui a operação funciona e o que falta é ajuste. É o melhor cenário possível no primeiro mês, e quase ninguém percebe isso.
Mexa em uma coisa por vez. Trocar anúncio, público e página na mesma tarde é a forma mais rápida de nunca saber o que causou a mudança.
O que eu não faria de jeito nenhum
A lista do que evitar é tão importante quanto a do que fazer, e ela vem do que eu vi acontecer com gente que começou junto comigo e parou no caminho.
- Não compraria curso na primeira semana. Antes de escolher o mercado, você não sabe nem que problema o curso resolveria. Conteúdo gratuito sobra para os primeiros 30 dias.
- Não trocaria de estratégia antes do fim do mês. Cada troca zera o aprendizado e recomeça a curva. Um mês é o mínimo para um ciclo dizer alguma coisa.
- Não anunciaria sem entender a regra da oferta. Anúncio reprovado e conta suspensa custam mais tempo do que a leitura das regras teria custado.
- Não mediria sucesso por venda no primeiro mês. Mediria por etapa concluída. Venda no primeiro mês é bônus, não é meta.
- Não deixaria a parte fiscal para depois de virar bagunça. Assim que a renda começa a aparecer com alguma regularidade, vale entender o que declarar, e eu expliquei isso no artigo sobre MEI e imposto de renda para afiliado.
Tem um erro que merece parágrafo próprio, porque é o mais caro: ligar anúncio na semana 1. Dá uma sensação enorme de que a operação começou, e é só dinheiro saindo enquanto você ainda não sabe para quem está falando. Os erros mais comuns do iniciante no tráfego pago quase todos nascem dessa pressa.
Perguntas frequentes
Dá para começar do zero como afiliado sem dinheiro nenhum?
Dá, e o cadastro nas plataformas é gratuito. O que muda sem verba é o combustível: em vez de anúncio, você usa conteúdo, e isso troca dinheiro por tempo. O plano de 30 dias continua o mesmo, só a última semana muda de forma, porque em vez de subir campanha você publica conteúdo com constância.
Quanto tempo leva para sair a primeira venda de afiliado?
Não existe prazo fixo, e quem promete um está chutando. Com tráfego pago e uma oferta boa, pode acontecer nos primeiros dias. No orgânico é comum levar semanas ou meses. O que os 30 dias entregam com certeza não é venda: é uma operação montada e medida, que é o que permite corrigir o que não funcionou.
Preciso ter site ou blog para começar como afiliado?
Não para começar. Você precisa de um lugar onde a pessoa entenda o produto antes de clicar para comprar, e isso pode ser um vídeo, um post ou uma página simples. O site próprio faz sentido quando você já sabe qual oferta quer defender e quer construir algo que rende com o tempo.
Começo pelo orgânico ou pelo tráfego pago?
Depende do que sobra mais para você: tempo ou dinheiro. Quem tem tempo e nenhuma verba começa no orgânico. Quem tem uma verba de teste e pouco tempo começa no pago, e aprende mais rápido porque o retorno chega em dias. Os dois funcionam. O que não funciona é ficar trocando de um para o outro toda semana.
Quantos produtos devo divulgar no primeiro mês?
Um. Divulgar cinco ofertas no primeiro mês parece diversificação, mas na prática é o que impede você de entender qualquer uma delas. Com uma só, todo resultado que aparecer tem uma causa que dá para identificar. Com cinco, você só tem ruído.
Para fechar
Trinta dias não fazem ninguém viver de afiliação. Fazem uma coisa menor e bem mais valiosa: te tiram do lugar onde a maioria fica presa, que é o de tentar tudo ao mesmo tempo e não conseguir explicar por que nada funcionou.
No dia 31 você vai ter um mercado escolhido, uma oferta que você conhece de verdade, um caminho montado entre o clique e a compra, e um primeiro teste medido. A partir daí o trabalho vira repetição e ajuste, que é o que ele é para todo mundo, inclusive para quem já está há anos nisso.
Pode funcionar para você, mas depende de como colocar em prática. Se este conteúdo ajudou, aproveite para conferir os outros artigos do blog, ou comece pelo mini curso gratuito de marketing de afiliados, que mostra essa mesma estrutura aplicada em uma operação com Google Ads.